Colossenses 3
1-PORTANTO,
se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo
está assentado à dextra de Deus.
2-Pensai
nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;
A CIDADE DE COLOSSOS
Colossos
ficava a sudoeste da Frígia, na Ásia Menor, às margens do rio Lico. A cidade
foi importante no século cinco(5) a.C.. Depois foi perdendo sua importância
diante do crescimento de Laodicéia, a 18 km , e Hierápolis (Col.4.13). O livro de
Apocalipse confirma que Laodicéia era uma cidade rica (Ap.3.18).
Colossos
perdeu sua importância devido à mudança no sistema de estradas. Isso passou a
beneficiar Laodicéia.
A
cidade dos colossenses foi destruída no século 12 d.C.. Escavações
arqueológicas realizadas em 1835 descobriram um teatro e um cemitério da
cidade.
DIVISÃO DO LIVRO
Como
já é comum no estilo paulino, a epístola apresenta duas partes: doutrina
(cap. 1 e 2) e aplicação prática (3 e 4). Paulo mostra de modo bastante
consciente o valor do conhecimento e da experiência. Precisamos
também valorizar as duas coisas, as quais precisam andar juntas (Os.4.6;
Tg.1.22). O conhecimento isolado é inútil. Na oportunidade em que puder ser
aplicado, então torna-se proveitoso. Se conhecermos a doutrina mas não a
colocarmos em prática, a mesma será inútil. Por outro lado, a busca da
experiência por parte de quem despreza o conhecimento, torna-se uma aventura
perigosa. Quem busca apenas experiências espirituais e não quer aprender nada
sobre Deus e sobre a bíblia, poderá, eventualmente, ter uma experiência com o
inimigo e ser enganado. Observe em Colossenses 2.18, que as visões podem estar
ligadas ao engano. Sabemos que Deus também dá visões (Joel 2.28), mas estas
estarão sempre coerentes com a bíblia. Portanto, o conhecimento será o filtro
para a experiência. O conhecimento é a base para o discernimento. Em Mateus 4,
Jesus, ao ser tentado, combateu o inimigo através da Palavra de Deus, à qual
Cristo conhecia de cor, sabendo também o seu real significado.
Na
parte prática, Paulo dá instruções para os pais, esposas, maridos, filhos,
servos e senhores. Orienta também em relação à oração, à pureza e liberdade
cristã.
O PROBLEMA DOS COLOSSENSES
JUDAÍSMO
E GNOSTICISMO
Epafras levou ao conhecimento de Paulo a situação dos Colossenses. O "relatório" apresentava dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, foi dado testemunho a respeito da fé, do amor e do crescimento daquela igreja (1.4-8; 2.5). A outra informação dava conta de que alguns líderes estavam se infiltrando na comunidade e levando influências judaicas e filosóficas (2.8). Esses elementos estavam se misturando e produzindo heresias. A parte filosófica em questão era a doutrina dos gnósticos. Juntando tudo isso, os irmãos estavam sendo pressionados em relação aos seguintes pontos:
- Valorização dos mistérios do
gnosticismo.
- Adoração a anjos, aos quais os
gnósticos atribuíam a obra da criação.
- Ascetismo exterior: abstinência
de comidas e bebidas (influência gnóstica e judaica).
- Observância da lei mosaica
(influência judaica).
- Prática da circuncisão.
- Comemoração das festas judaicas.
- Guarda do sábado.
Os
gnósticos acreditavam que o mal estava ligado à matéria. Este conceito produzia
outros bastantes perigosos. Criam que, sendo a matéria má, então não foi Deus
quem a criou, mas sim os anjos. Se a matéria é má, então a encarnação divina
não poderia ser considerada um fato nem uma possibilidade. Assim, estava criado
um sistema doutrinário que negava a divindade de Cristo e a obra da cruz.
Apesar
de não ser diretamente responsável pela igreja em Colossos, Paulo reage
energicamente contra aquelas heresias que ameaçavam a sã doutrina. Em seu
combate, Paulo destaca a supremacia de Cristo. A sua divindade e a sua obra na
cruz eram elementos plenamente suficientes para a refutação de todos aqueles
ensinamentos judaicos e filosóficos (2.8-10). Se forma incisiva, Paulo derruba
todos aqueles sofismas. Ele destaca que o mistério que nos interessa é
Cristo, o qual já foi revelado a nós. Então, de nada importam os mistérios
gnósticos (Col. 1.26-27; 2.2-3; 4.3). Se conhecemos a Cristo, não precisamos
inquirir sobre nenhum outro mistério religioso ou filosófico. O nome
gnosticismo vem do termo "gnose", que significa conhecimento. Paulo
usa a mesma palavra para mostrar que o conhecimento de Deus através de
Cristo é suficiente para suprir as necessidades espirituais do homem (Col.
1.9-10,27-28; 2.2-3; 3.16)
O
gnosticismo atribuía a criação aos anjos, colocando-os como objeto de
culto (2.18). A isso, Paulo combate ao dizer que Cristo, sendo Deus, é o criador
de todas as coisas, inclusive dos anjos (1.13-17). Acrescenta ainda, que o
Senhor Jesus está acima de todos os poderes angelicais, sejam eles principados
ou potestades, os quais estão sujeitos ao senhorio de Cristo (2.10,15).
Adorando anjos, os gnósticos estavam, de fato, adorando demônios, pois os anjos
de Deus não recebem culto. Paulo associa os "anjos dos gnósticos" aos
demônios quando diz que Cristo despojou os principados e potestades, expondo-os
ao desprezo.
Com
relação às questões judaicas, Paulo insiste naqueles pontos já presentes
nas outras epístolas. Cristo já nos resgatou do domínio das exigências
cerimoniais da lei. Ele a cravou na cruz (2.14). O significado de Cristo em nós
(1.27) supre totalmente o que poderíamos buscar através da circuncisão (2.11;
3.11), ou das festas, ou dos sábados (2.16-17). Já temos Cristo. Então não
precisamos mais desses elementos judaicos, os quais possuíram o seu valor numa
época em que Cristo não tinha vindo ao mundo. Paulo diz que aqueles elementos
do judaísmo eram "sombra". Cristo é a realidade. Não precisamos mais
da sombra. O autor da carta aos Hebreus usa a mesma linguagem para comparar a
lei e o judaísmo com a realidade cristã (Hb.8.5; 10.1).
Os
judaizantes e os gnósticos traziam um fardo de mandamentos exteriores para os
gentios convertidos ao cristianismo. Contudo, suas leis atingiam apenas
questões superficiais e até supérfluas. Afirmando que a matéria é má, os
gnósticos impunham severas regras de alimentação e disciplina. Contudo, nada
disso seria útil ao espírito. Tal rigor poderia até ter utilidade para o corpo,
mas era inútil para a alma e não poderia ser colocado como questão espiritual,
religiosa, ou relacionada à salvação eterna. No capítulo 3, Paulo fala do que
realmente afeta a alma humana: o pecado. De que adiantariam tantas ordenanças e
rituais se o pecado continuasse ocorrendo livremente. Então, o apóstolo toca no
que realmente era importante para os colossenses e continua importante para
nós. Ao invés de ficar preocupados com questões de alimentação, eles deviam se
preocupar em combater a prostituição, a avareza, a impureza, etc, pois estes
elementos atrairíam a ira de Deus sobre os homens (Col. 3.5-6). Falando assim,
Paulo mostra que, enquanto os gnósticos associavam o mal à matéria, o mal está
é no pecado, na natureza pecaminosa do homem, e não na matéria em si.
O ATAQUE DE PAULO CONTRA AS HERESIAS
DESTAQUE
PARA A SUPREMACIA DE CRISTO
A natureza de Cristo – Sua divindade e usa unidade com o Pai - (Col. 1.15-19)
Imagem
do Deus invisível – Col. 1.15.
Criador
– Col. 1.16.
Mantenedor
da criação – Col. 1.17.
A vinda de Cristo ao mundo e sua obra na cruz – (Col. 1. 20-23; 2.13-15).
Os
colossenses precisavam ser conscientizados ou lembrados a respeito da pessoa de
Cristo, sua natureza e sua obra. A periculosidade de muitas correntes
filosóficas e religiosas reside no fato de valorizarem muitos elementos,
personagens, práticas e conceitos, tirando assim a atenção e a fé que deveriam
estar concentradas na pessoa de Jesus. Ensinamentos, aparentemente inofensivos,
estarão causando danos profundos na alma humana. Por exemplo, se começarmos a
fazer do "pensamento positivo" a causa do nosso sucesso, então
estaremos, sutilmente, negando a Cristo.
Assim
acontece também com aquelas pessoas que dizem acreditar em Cristo, mas são
devotas de uma série de "santos" ou "guias". O acontece com
elas? Fazem suas orações a Jesus? Não. Acabam por ignorá-lo. Assim, de uma
forma sutil, o diabo conseguiu o seu objetivo. Aparentemente, ele não quer substituir
Cristo, apenas "acrescentar" um "personagem" aqui e outro
ali. No final, Cristo já foi substituído na vida de muitas pessoas.
Paulo
colocou em destaque a natureza e a obra de Cristo. Sendo quem ele é e tendo
feito o que ele fez por nós, não precisamos de nenhum outro "personagem"
espiritual que venha nos oferecer alguma coisa. Cristo é tudo o que precisamos
para a nossa salvação. Seus ensinamentos são os únicos que vão reger a nossa
vida espiritual. Nele estão todas as riquezas espirituais de Deus para os seus
filhos. (1.27; 2.2; 3.16).
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